segunda-feira, 28 de maio de 2012

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                E não é coisa do outro mundo: Querer inventar uma verdade, querer uma verdade inventada, por mim, não por outros. Um tipo de auto-verdade que seja feita de caprichos, sonhos e idealizações minhas para que dentro de mim eu possa sonhar tudo que me permito, que me cabe, sem restrições de outros e muito menos espaços fechados por paradigmas – Sim, quero poder quebrá-los, poder ter em mim, ter aqui todos os sonhos do mundo. Não é de utopia que falo, mas de invenção, de verdade muitas vezes icógnitas por aí, quebrando cabeças e deprimindo pessoas.
                Talvez se dentro de cada personalidade coubesse um tempinho, um espaço para se olhar dentro, percorrer cada pedaçinho de si, muito mudaria, e aí seria hora de (re)inventar...
Vitória Nunes

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A DOR DE UMA SOCIEDADE PERDIDA


(Foto por Jairo Silva)
Era madrugada de domingo (por volta de 1h40), eu estava preparando boletim da Comunidade Presbiteriana e interagindo com algumas pessoas.  Uma amiga diz pelo face: - Pastor, tiros aqui no Jardim Recreio... Muitos tiros... Medo! – Depois ela acrescenta: UM MORREU.
Fiquei angustiado porque bem sabia que algumas pessoas que amo poderiam estar “perdidas” nas ruas do Conde naquela hora.  Logo depois deitei e na cama mesmo orei por elas.
Ao acordar vi que havia uma mensagem no meu celular. Estava informando quem havia falecido. Netinho! Um dos amados. Um moço de pouquíssima idade, uma criança.  A angústia tomou conta de mim, acompanhada de revolta, dor e uma enorme sensação de “estamos perdidos”. As coisas só se intensificaram com o disse-me-disse. Os fatos eram tristes, algumas pessoas haviam entrado no “som” e atirado nos que ali estavam. Vi na internet fotos do local, e, a dor só aumentou.
A tarde fui ao sepultamento de Netinho e vi uma mãe, tios, tias, pai, avós e o irmão pequeno de Netinho chorando, era de doer a alma ver tanto desespero em um pequeno em quem há poucos dias só via sorrisos. Era angustiante ver amigos e familiares ver um adolescente morto de forma tão banal.  
Doeu entrar naquele cemitério e ver dezenas de adolescentes chorando a morte daquele menino. Doeu ver sonhos interrompidos e lágrimas nos olhos de quem passou a duvidar sobre a possibilidade de sonhar. A alma ficou dilacerada com tanta dor, incerteza e medo nos olhares daqueles pequenos.
Mas o que mais doeu foi saber que Netinho não foi o primeiro e não será o último. Ele foi vítima de uma sociedade covarde, corrupta e sem Deus, sem rumo, sem alegria real. Um povo que vira as costas para o outro como se não tivesse “nada com isso”. Ah! Ele usava drogas! A sociedade não perdeu nada. Você pode me dizer. Eu respondo: A SOCIEDADE PERDEU E CONTINUA A CADA DIA PERDENDO SUAS CRIANÇAS, SUA HONRA, DIGNIDADE E AMOR. PERDEU O RESPEITO PELA VIDA.
Esse menino foi vítima de uma tragédia anunciada. Todo mundo sabia que ali “rolava” tudo que não devia. Não conto as vezes que alertei sobre isso. Vi pessoas dizendo, vi pessoas implorando para fecharem aquele local. MAS... NETINHO MORREU e outros oito ou nove (não sei ao certo) estão feridos.
Minha alma está ferida, famílias estão feridas, o Conde está doído. E o que será feito? NADA! O crack, os paredões, a exploração sexual continuarão imperando nessa cidade que tanto amo.  Mas o Conde é apenas o retrato de um país embebido no cálice de um vinho amargo e cruel. É só mais lugar lindo que está perdendo a batalha para um câncer que corrói toda uma gente. E esse câncer não são as drogas, elas juntamente com a prostituição e outras mazelas, são apenas as feridas purulentas. A verdadeira doença é a perda total dos referencias de Deus, família, amor, justiça, retidão e ética.
Os culpados serão presos? NÃO! A grande maioria não estava lá. Eu não estava. Você não estava. Como assim eu e você?  É estou dizendo que somos culpados sim. A sociedade, seus representantes legais, seus líderes religiosos, sua imprensa, enfim, somos todos culpados... Cada um de nós é culpado quando viramos as costas para esse problema que é nosso.  Não puxamos o gatilho, mas ficamos calados, fechamos os olhos, fazemos ouvis “mocos” para “gritos” que clamam por socorro.
                Hoje há indignação e medo nas ruas da cidade, amanhã haverá apenas o medo, depois voltamos a nos acostumar com o cenário até que outras crianças morram de forma tão banal. E assim caminha a humanidade a passos de formiga se vontade, sem vontade de mudar, de amar e de voltar a sonhar!
Que Deus nos abençoe e mude a história!

Caco Pereira


terça-feira, 8 de maio de 2012

Vontade

      Nesse paraíso perdido em que me encontro, só faço me achar, e me perder, e perco-me cada vez, numa vontade louca de me auto alimentar de vontades, ideologias antes não vistas, de seres ainda desconhecidos e palavras, e sentidos, sentimentos, desejos e principalmente a loucura de querer ser humano, mas 
       Escondida entre tantos clichês, e vocábulos e a arte de se esconder atrás do pronto, da ciência, em meio a exatidão, me perco e me acho num fascínio imenso do saber e prostar-me a produzir cada vez mais aquilo que de amor é cheio e de habilidade, vontade, ternura. Era como se fosse desabrochar de rosas, o rio invadindo o mar, o saco se esvaziando e jogando fora, colocando tudo em meio a fonemas e letras, e paixão e poesia, e vontade de unir, de fazer junções cada vez mais, e mais, mais, e mais, e mais...
Vitória Nunes

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Somos

     Talvez seja melhor de vez em quando optar pela mudança, pela fechada de brechas ocultas existentes em nós mesmos, talvez até seja melhor deixarmos o vazio que há ser preenchido, ocupado por algo novo que nem mesmo sabemos bem o que é. Só tampar, preencher, ocupar, talvez por que temos a necessidade de sempre descobrir. Descobrir o que falta, descobrir o por que é preciso preencher, descobrir com o que se vai preencher.
     E a vida é feita de curiosos, feita de nós mesmos, feita de verdadeiros descubridores - Sim, descubridores ocultos de verdades às vezes inventadas, inventadas por nós mesmos, descobertas por nós mesmos, criadas e reinventadas por nós mesmos. Somos quem fazemos a nossa felicidade, somos, somos, somos sim, só somos...                 
Vitória Nunes